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Os personagens da mitologia
greco-romana vêm encantando a humanidade há séculos, aparecendo nos dias de hoje, com muita assiduidade, nas campanhas
publicitárias que ditam a moda e cativam o público, porque
ativam a energia
das pessoas.
Um dos mitos de mais destaque neste final de milênio
é Eros, o deus do amor, conhecido em Roma como Cupido. Na
Alexandria era representado pela figura de um menino alado, com
uma flecha que incendiava os corações. Atualmente está sempre
presente, representado nas cenas de amor, do primeiro encontro ao grande final.
A história de Eros está ligada à de Psiqué, como
nos conta Apuleio, em sua obra Metamorfoses.
Psiqué (a Alma) era uma das três filhas de um rei,
todas belíssimas e capazes de despertar tanta admiração que
muitos vinham de longe só para vê-las. Alvos de tanta
atenção, logo as duas irmãs de Psiqué se casaram. Ela, no
entanto, sendo ainda mais bela que as irmãs, além de extremamente graciosa,
não conseguia um marido para si, pois
todos temiam tamanha beleza. Desorientados, os pais de Psiqué buscaram ajuda
através de um oráculo, que os instruiu a vestir Psiqué com as
roupas destinadas a seu casamento, e deixá-la no alto de um
rochedo, onde um monstro horrível viria buscá-la.
Mesmo sentindo-se pesarosos pelo destino da filha, os
pais de Psiqué seguiram as instruções recebidas, conduzindo-a
para o alto de uma montanha, onde a deixaram. Logo após começou
a soprar um vento muito forte, e Psiqué foi carregada pelos
ares, sendo depositada, depois de algum tempo, no fundo de um
vale. Exausta, Psiqué adormeceu profundamente. Quando acordou
viu-se em frente de um palácio de ouro e mármore. Entrou, e
ficou maravilhada com tudo que viu. As portas abriram-se para ela
e vozes sussurravam-lhe tudo que queria e precisava saber, apresentando-se como escravas que ali estavam para servi-la. Ao
anoitecer Psiqué sentiu junto de si uma presença, que só podia
ser, e era, o esposo de que falara o oráculo. Este lhe explicou
quem era, mas advertiu-a de que jamais poderia vê-lo, pois isso
significaria perdê-lo para sempre. Assim passou a decorrer a vida de Psiqué. Ficava só
durante o dia,ouvindo aquelas vozes que a serviam; à noite
tinha a companhia do esposo, que se revelara extremamente terno e
carinhoso.
Era feliz, muito feliz.
Depois de algum tempo, no entanto, apesar de toda sua
felicidade, Psiqué começou a sentir saudade de seus pais e de
sua família. Pediu permissão a seu esposo para visitá-los,
persistindo em seu intento apesar das advertências de que essa
viajem poderia Ter péssimas conseqüências. Vencido pelas
súplicas de Psiqué, seu marido concordou com a visita à família, e o mesmo vento que a trouxera transportou-a de volta
para a casa de seus pais.
Levou consigo riquíssimos presentes, e foi recebida
com enorme alegria por todos. Suas irmãs também vieram vê-la,
e constataram com enorme inveja o quanto ela era feliz. Psiqué
havia contado a elas que ainda não havia tido a oportunidade de
ver seu esposo e sobre as advertências que ele lhe fizera caso
tentasse vê-lo. Ciumentas, as
duas irmãs convenceram Psiqué de
que ela deveria vê-lo para completar sua felicidade. Seguindo a
idéia que lhe haviam sugerido, Psiqué, à noite, após voltar
para seu palácio, tendo seu esposo adormecido ao lado, acendeu
uma luz para vê-lo, e ficou maravilhada com a adolescente que
ali estava , tão belo quanto ela. Enternecida e
comovida com a
agradável surpresa, Psiqué esquece-se que tinha uma lanterna na
mão, e uma gota de azeite quente pingou na mão de Eros, o Amor.
Pois esse era o mostro de que falara o oráculo. Este acordou com
o calor do azeite e, cumprindo as ameaças que fizera, fugiu para
não mais voltar.
Eros era o deus do Amor, nascido ao mesmo tempo que a
Terra, gerado a partir do caos primitivo, sendo uma das forças
fundamentais do mundo. Outras versões trazem Eros como filho de
Hermes e Afrodite, sendo esta a descrição que encontramos em
Platão em sua obra O banquete.
Afrodite, mãe de Eros, é apresentado ora como Afrodite Urânia,
deuses dos amores etéreos, ora como Afrodite Pandêmica, deusa
do desejo brutal. Eros, por sua vez, é representado como uma
criança ou como um adolescente nu, com olhos vendados, sempre
acompanhado de suas flechas, utilizadas para atingir os
corações dos seres humanos, inflamando-os e zombando das
conseqüências de seus ataques. Eros assegura não apenas a
continuidade das espécies, mas também a coesão interna do
Cosmos, representando o
centro unificador.
Abandonada por Eros, o Amor, sentindo-se só e
infeliz, Psiqué, a Alma,
passou a vagar pelo mundo, perseguida
por Afrodite, que invejava sua beleza.
Ninguém se atrevia a
acolhê-la, e Afrodite acabou por aprisioná-la, encarregando-a
de tarefas penosas e perigosas.
Numa dessa missões, Psiqué teve de descer aos
infernos e roubar de Perséfone um frasco cheio de água retirada
da fonte da juventude eterna.
As instruções de Afrodite eram
claras: Psiqué deveria trazer o frasco intacto, sem abri-lo. Mas
Psiqué desobedeceu e abriu o frasco, imediatamente caindo num
sono profundo.
Enquanto isso acontecia Eros, o Amor, estava
desesperado, pois não conseguia esquecer Psiqué. Depois de
algum tempo de busca encontrou-a
naquele estado, e para
acordá-la teve de usar a ponta de uma de suas flechas.
Em seguida Eros regressou ao Olimpo e solicitou a
permissão de Zeus para de casar com a mortal Psiqué. Zeus
aprovou o casamento, e ordenou a Afrodite que se reconciliasse
com Psiqué.
Depois de unidos pelo amor divinizado, Eros e
Psiqué, ou seja, o Amor e a Alma, não mais tiveram presença
física, embora permaneçam juntos durante toda a eternidade.
( Livro Almas
Gêmeas - Monica Buonfiglio )
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